Posts tagged "texto"

‎”Se você adora uma certeza, fique longe desse tipo movediço de campo de sedução atulhado de descargas elétricas de ilusão e difusão semântica; onde um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra podem representar mil coisas além de apenas um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra. Você pode também acabar confundindo-se, escancarando intenções estúpidas e incomodando vizinhanças.”

O amor mais bonito
No instante que me iludo, é quando você me esquece. Quando volto à tona, você mergulha nos meus olhos. Se eu te roubo rosas vermelhas, você faz “bem-me-quer”. Quando hesito, é quando você já está na estrada.

Se me perco no teu beijo, você fica tentando encontrar um caminho. Quando me encho de receio, você me diz estar pronta. Eu te ponho em xeque-mate, você me diz que cansou de jogar. Quando não quero me machucar, você me telefona no meio da noite.


Eu vejo o sol nascer no mar, você se preocupa em não molhar os pés. Quando eu não durmo, é quando você sonha loucuras sobre nós dois. Quando sinto teu gosto na minha boca, você pede economia nos clichês. Se não quero parecer patético, você se diz um poema apaixonado.

Eu quero parar o tempo, você procura seu relógio embaixo da cama. Quando me escondo, é quando você me quer em cima de você. Se apresso meu passo na sua direção, você engata a marcha ré. Quando reuno meus pedaços, você dá o coração para bater.

Eu deito no seu colo, você se preocupa em fechar a janela. Quando me poupo, é o instante que você se dá de graça. Se ando em alta velocidade, você conta os níqueis pro pedágio. Eu perco as chaves, você insinua mudar pro meu apartamento.

Um amor físico, fatídico, real, raro e patente. Um amor que nasceu, mas nunca viveu. Um amor que aconteceu, mas não foi ocupado. Daquelas comédias românticas que ninguém tem tempo de rir, pois já começa pelo final. Os amores mais bonitos são aqueles que nunca foram usados.

by Gabito, 

fanfarra

gustav mahler contou a sigmund freud que uma vez, na adolescência, ficou muito perturbado ao testemunhar uma briga violenta entre seus pais e saiu de casa chorando e batendo a porta dramaticamente. assim que pisou na rua, uma fanfarra passava tocando uma marcha militar. para ele, esse contraste entre a tragédia interna e a indiferença cotidiana foi fatal. não conseguia mais compor nada dramático sem que houvesse a interferência indesejada do popular, do baixo. a fanfarra seguia normalmente, ignorante dos problemas daquele eu em desasossego e foi isso, talvez, o que lhe permitiu criar o que agora os críticos consideram como uma mistura única do alto e do baixo.

by http://nadaestaacontecendo.blogspot.com/

Eu me lembro de textos horríveis que fiz quando tinha dezoito anos. Aos dezoito anos, a gente costuma escrever sobre o amor. Não é uma idade sutil, e toda a energia que temos parece escorrer num lajeado e despencar de uma altura suficiente para machucar o outro ou a nós mesmos. E daí você escreve coisas como essa que eu acabei de escrever. Onde há muita dor e nenhuma técnica, certamente há muito clichê e uma porção de frases mal construídas.

Na verdade, as primeiras coisas que escrevi foram contos policiais, é o que parece o certo no início, contos policiais com personagens de nomes anglo-saxões e que se passavam muito longe daqui, esse era o tamanho do meu universo pré-adolescente, embora eu nunca tivesse visto um homem morto de verdade, ou talvez por isso mesmo. Depois, o amor meio que se sagra o dono do campinho. Provavelmente aconteceu com todo mundo que hoje preenche com a palavra “escritor” a ficha cadastral de um hotel, sem contar aqueles que só escreveram na adolescência, poemas, ou quem sabe contos, e isso sem nunca ter lido Drummond, mas é claro que tendo lido Bukowski, o que nos dá uma parcial dimensão do estrago.

A questão é que, aos dezoito anos, o amor parece ser o único tema supostamente complexo que a gente tem condições (e vontade) de encarar. O que, convenhamos, é uma coisa curiosa, uma vez que a nossa vida também é tocada por outras questões, como as confusas e amorosas e por vezes bélicas relações familiares, como violência urbana, como amizade, como a profissão que você escolheu aos dezessete porque assistiu a uma palestra e tudo pareceu muito legal (mas não há mais certezas quanto a isso), ou ainda como a finitude da existência, se você tiver um pouco de azar.

Tudo bem, ainda não somos bons observadores a essa altura e, se todas essas coisas citadas acima nos dizem respeito, as muitas nuances que as envolvem nos passam um tanto despercebidas. Repito: não é uma idade sutil, está mais para o elefante dentro da loja de cristais. O momento em que mesmo os tímidos são estabanados.

Felizmente e infelizmente, isso acaba. Eu tinha vinte e cinco anos quando escrevi meu primeiro livro. Três histórias, nenhuma delas sobre amor. Até a arquitetura começou a me interessar mais do que as brigas de casais; a relação das pessoas com o lugar onde elas moram, uma certa simbiose entre concreto e sentimentos. Se havia amor, esse que costuma pressupor um homem, uma mulher e muitas confusões, ele corria num segundo plano, ou melhor, num terceiro plano, ou num quarto, um pontinho numa grande paisagem onde se via coisas mais interessantes.

Acho chato, repetitivo, o amor muito meloso, mas sobretudo as histórias que envolvem um casal em cenas cotidianas supostamente engraçadas, esteja isso na literatura, no cinema ou no teatro. Veja bem, não sou uma pessoa amarga. Exercito meus músculos faciais com frequência acima da média. Mas essas situações, do tipo casal brigando por um controle remoto, eu deveria rir de uma coisa dessas? Identificação zero. É tão convencional que me causa mal-estar. Não brigamos aqui em casa por controle remoto. Aliás, sequer temos uma televisão. Mas aí você se dá conta que isso nada tem a ver com o amor. Essas discussões e picuinhas de casal, estilizadas pela risada “fácil”, estão falando sobre a instituição do casamento, só isso. E não em tom de crítica, pelo contrário: são comidinha para o rebanho. Tudo bem, eu não sou fã mesmo da comédia em estado puro, me deixem.

A verdade é que esse universo fechado em duas pessoas não é bem a minha praia. A gente vai ficando velho e restritivo. Eu também não vejo filmes nos quais as pessoas têm doenças terminais, por exemplo. Mas isso deve acontecer com uma boa parte de vocês. Gosto, por outro lado, quando a relação a dois faz parte de uma engrenagem muito maior; é o caso do absurdamente inesquecível Revolutionary Road, do Richard Yates. Ou de O grande Gatsby.

Aliás, sobre aquilo que eu escrevia aos dezoito anos: não era amor, claro.

by Carol Bensimon

Há algum tempo atrás eu e meu marido estavamos indo para o trabalho de carro e passamos por uma praça dessas onde dormem várias pessoas que vivem nas ruas.

Um casal me chamou muita atenção e desde aquele dia não consegui mais esquecê-los, ela grávida, suja com a roupa rasgada e um homem com ela, fazendo carinho naquela barriga imensa, cuidando daquela preciosidade que estava ali, dava para ver que apesar de todas as dificuldades havia amor entre eles… Como isso é possível, em uma situação daquelas? Como é possível um casal de rua ser feliz com a chegada de um bebê naquelas condições? Eu não sei, mas sei que aquela cena me ensinou muitas coisas e me arrependo de não ter tirado uma foto deles.

Voltamos a passar por aquela praça em outras ocasiões, pude vê-los mais uma ou duas vezes, sempre nas mesmas condições os dois acordando de uma noite na rua, mas abraçados e acariciando o bebê que está por vir.

O amor está em todos os lugares e cada vez mais me convenço de que isso é o que realmente importa na vida.

Posted 2 years ago #Texto

Texto muito engraçado por Raquel C., do Não sente ao meu lado > http://naosenteaomeulado.blogspot.com/

bom, aí eu tava lá chorando no ônibus.
não que eu seja descontrolada. nada a ver. sou uma pessoa dinâmica e ligada nas últimas estratégias de otimização de tempo. tô de bobeira no ônibus, como posso aproveitar esses minutos ociosos? dando uma choradinha. que aí eu chego em casa e já passei por essa etapa, posso me matar direto.
enfim, eu tava lá. chorando no ônibus, meio de lado, olhando pra janela. o ônibus cheio, mas não muito, algumas pessoas em pé. aquele calor senegalesco. esbarram na minha cabeça. ok.
esbarram de novo.
de novo de novo de novo.
notei uma certa sincronia e imediatamente pensei: tem alguém batendo com o pau na minha cabeça.
não me perguntem como eu soube. é todo um instinto para coisas inúteis. olhei de ladinho e tcharam! uma pessoa de pau duro estava se aproveitando dos mínimos movimentos do ônibus pra contemplar meus cabelos com uma pirocada.
nesse ponto você suspende todas as atividades e pensa que sua vida é uma piada muito ruim. ou então é de um humor tão sofisticado* que você, por ser tosca, não consegue compreender.
por essas e outras que nem valem ser mencionadas, cheguei em casa e concluí que ainda é 2009. nunca saímos de 2009. 2010 é só um fake desse ano interminável e sem noção.
faz parar.

(*isso significa que trocadilhos envolvendo a expressão “foder com a sua cabeça” não estão permitidos. abracinho.)

By http://donttouchmymoleskine.com 

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só…
Florbela Espanca

What are little boys made of?
Snips and snails, and puppy dogs’ tails
That’s what little boys are made of.
What are little girls made of?
Sugar and spice and all things nice
That’s what little girls are made of.

Robert Southey

Você pode imaginar se a vida seguisse sem problemas e todos sempre concordassem com tudo? Nada iria acontecer. Não haveria Blues.
Keith Richards falando poeticamente dos conflitos com Mick Jagger
Posted 2 years ago / 1 note #foto #texto #amor #Love Actually

Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,
aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

I Say Hey! renatamasseroniTenho fobia a baratas e instrospecção congênita, as vezes sociopata. Nas horas vagas tento ser Administradora, da minha empresa e quiça da minha própria vida. ♥

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